Sobreviverá a democracia brasileira às eleições de 2018? – Síntese da intervenção de Pedro Bacelar de Vasconcelos

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Síntese da intervenção de Pedro Bacelar de Vasconcelos* no Debate Fórum Demos: Sobreviverá a Democracia Brasileira às eleições de 2018?, realizado no passado dia 15 de outubro na Cooperativa Árvore:

Só faltam dez dias mas é ainda possível derrotar o candidato neofascista à presidência do Brasil. Para o conseguir, é preciso que muitos dos que votaram nele na primeira volta arrepiem caminho e decidam, no dia 28 de Outubro, votar em Fernando Haddad… ou, em alternativa, que optem por votar nulo ou em branco. Não há cinquenta milhões de neofascistas no Brasil. Muitos dos que votaram em Bolsonaro estão zangados com o PT e com as promessas que os seus governos deixaram por cumprir, estão exasperados com a insegurança que ameaça as suas vidas, estão cansados de uma corrupção endémica que a democracia veio expor de forma ainda mais flagrante e, claro, estão decepcionados com o fim de um ciclo de progresso inédito que permitiu aos Governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula da Silva tirar milhões de brasileiros da miséria mais extrema. Esta insatisfação não é uma singularidade brasileira. Bem pelo contrário! Só para enumerar os casos mais recentes, atente-se nos resultados obtidos pela extrema direita na Inglaterra, na América do Norte, na Áustria ou na Itália. Um antigo líder da KU-Klux-Klan, apoiante de Donald Trump e adepto dos “supremacistas brancos”, dizia sobre Jair Bolsonaro: – “Ele soa como nós”.

Indiferentes aos sinais que anunciam de forma cada vez mais assustadora a possibilidade de Jair Bolsonaro sair vitorioso da 2ª volta das eleições presidenciais, os democratas brasileiros continuam remetidos a uma passividade indesculpável. Não há tempo para ressentimentos e cálculos eleitoralistas de médio ou longo prazo. Se as forças democráticas não conseguirem transferir os votos dos seus tradicionais eleitores para Fernando Haddad e Bolsonaro assim conseguir ser eleito, ninguém sabe quando haverá de novo eleições no Brasil nem, se as houver, em que condições serão disputadas. A tudo isto, soma-se a descarada manipulação das redes sociais transformadas no veículo principal da campanha de Bolsonaro. Uma campanha empenhada na invenção despudorada de notícias falsas e caluniosas contra o seu adversário mas que o ajudam a subir nas sondagens

Tudo o que era interdito ou reprovável no mundo real – a violação da liberdade de consciência e da autodeterminação individual, o respeito pela reserva da intimidade privada ou pelo sigilo da correspondência, a calúnia e a difamação – tornou-se inocente ou vulgar no universo virtual. O debate, o contraditório, o benefício da dúvida renderam-se ao óbvio e à  ânsia de certezas. Não se trata de uma singularidade brasileira. Um triste fim aguarda as nossas democracias caso não saibamos enfrentar de forma resoluta e eficaz esta ameaça inédita e fatal.

* Pedro Bacelar de Vasconcelos – Deputado e Presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.

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